Introdução à Restauração da Alma. O que é?

Abaixo, segue um perfil do que a Restauração da Alma não é, resumindo muitos dos conceitos errados quanto a ela. O que segue é adaptado do primeiro capítulo do livro do David Kornfield, Introdução à Restauração da Alma, Editora Vida.

 A) A restauração da alma não é algo recebido automaticamente quando recebemos a Jesus como nosso Salvador e Senhor. Nosso corpo não é transformado quando somos salvos. Nosso Q.I. não dá um pulo. Igualmente, nossos problemas emocionais, nossas feridas e traumas do passado não somem simplesmente. Alguns pastores ensinam que o crente não tem mais problemas, que a nova identidade em Cristo automaticamente o transforma totalmente. Isso não corresponde à realidade. Nosso espírito realmente é novo, somos nascidos de novo a nível de nosso espírito e somos santos! Ao mesmo tempo, nossa alma precisa de santificação que é um processo contínuo até vermos a Jesus face a face. A alma tem sido definida de forma clássica como a vontade, a mente e as emoções. Essa mente precisa ser renovada (Rm 12.1), a vontade precisa ser alinhada com Jesus dia após dia (Lc 9.23) e as emoções transformadas também a cada dia (Ef 4.25-31). Se tudo fosse transformado automaticamente quando recebêssemos Jesus, Paulo nem haveria escrito todas as suas cartas!

B) A restauração da alma não é algo recebido automaticamente quando somos batizados ou ungidos pelo Espírito Santo. O Espírito Santo nos dá mais poder, sentimos o renovo em nosso espírito, mas ainda precisamos de um processo de cura/restauração que atinja nossas feridas. Caráter não vem através de unção. Infelizmente muitos, até pastores e líderes, tem mais unção do que caráter. A vida cristã envolve toda a disciplina de uma atleta (1 Co 9.19-23). Igual ao atleta, músico ou qualquer outro que demonstra graça especial, nós nunca chegamos ao ponto em que não precisamos nos dedicar às disciplinas básicas de um discípulo. Ser ungido não quer dizer que agora somos exemplo do esforço e disciplina cristã quanto à santificação. A cura emocional, na verdade, é a santificação aplicada ao passado.

C) A restauração da alma não vem por meio de reconhecer nossa necessidade dela. Isso é o primeiro passo, sem dúvida. Porém, da mesma forma que uma pessoa reconhecer que tem câncer não resolve o problema; da mesma forma, simplesmente reconhecer que temos traumas emocionais não é suficiente. Precisamos nos responsabilizar para procurar uma ajuda, aconselhamento ou tratamento que esteja a altura de nossas carências.

D) A restauração da alma não é algo que recebemos quando alguém faz uma oração especial por nós, ainda que essa pessoa tenha dons especiais. A oração de outros normalmente é indispensável na cura, mas ela também requer a nossa participação. Repetidas vezes encontramos pessoas que passaram por uma ministração de libertação ou cura sem ver mudanças significativas. Quando perguntamos, descobrimos que foram passivas, ficando quietas enquanto que outras pessoas oravam e ministravam. Quando ministramos de novo, nesta vez a pessoa assumindo um papel ativo, as mudanças após a ministração são notáveis.

E) A restauração da alma normalmente não vem em um ou dois encontros, se a pessoa estiver seriamente ferida ou traumatizada. Requer um processo sério de meses ou anos, dependendo do trauma da pessoa e a seriedade com a qual ela se entrega a sua restauração. Às vezes, vem em diferentes etapas, segundo o que estamos prontos a suportar. Jesus é muito sensível às nossas limitações. É como alguém que vai passar por uma cirurgia e precisa de um certo nível de saúde para sobreviver. Assim, a pessoa traumatizada muitas vezes nem reconhece o nível de sua doença emocional, até saber que tem em Deus, suficiente força para agüentar a cirurgia emocional. Depois de três anos com os discípulos, Jesus falou “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora” (João 16.12).

Nós temos aprendido a não ministrar cura para pessoas que não tem demonstrado seriedade quanto à restauração de suas vidas. Apenas ministramos para pessoas em grupos de apoio, porque quando a ministração é divina, o processo de firmar o que Deus fez precisa de uma caminhada longa e séria com o apoio de pessoas comprometidas com a nossa restauração. Normalmente o efeito de uma ministração sem seguimento e apoio sério acaba sumindo dentro de algumas semanas.

F) A restauração da alma tipicamente não é algo ministrado por um psicólogo, ainda que passemos por meses de aconselhamento. O psicólogo ou psiquiatra pode ajudar-nos a entender verdades chaves para nossas vidas, mas, com algumas exceções, é mais um facilitador do que um conselheiro que entra ativamente na alma da pessoa e acompanha, de dentro para fora, a dor e o mover curador do Espírito. O psicólogo normalmente trabalha a nível horizontal, através de conversa, ajudando a pessoa a se entender. A restauração da alma trabalha a nível vertical, através de um encontro divino, ajudando a pessoa a experimentar Jesus como nunca antes na área de suas dores e feridas.

Ao mesmo tempo, esclarecemos que os que ministram na área de cura interior e no ministério de restauração devem fazer todo o possível para ter o apoio de um psicólogo ou psiquiatra que conheça as dinâmicas do Espírito. Nós precisamos saber quando os problemas que estamos enfrentando vão além de nossa sabedoria e capacidade. Devemos ter alguém a quem possamos consultar e também indicar pessoas com problemas com os quais não estamos habilitados a trabalhar.

O que, então, é restauração da alma?! Deixe-me propor uma definição.

  1. Reconhecer nossas feridas, defesas e responsabilidades;
  2. Receber o perdão e a libertação de Deus; e
  3. Poder transmitir o mesmo para os que nos machucaram e abusaram de nós.

Quais comentários ou perguntas vêm a sua mente ao ler esta definição? Anote suas idéias e procure uma forma de compartilha-las com alguém, sua família ou um grupo pequeno.

Examinemos brevemente cada frase da definição.

  1. A restauração:
    • da esperança daquele que pensou que estava perdido.
    • dos propósitos de Deus.
    • dos relacionamentos que Ele sempre quis para nós.
    • do amor e alegria pelos quais fomos criados (e para os quais fomos criados!)
    • da imagem de Deus.
    • da glória de Deus. Cristo em nós. . . a esperança da glória!

    Restauração! Que palavra mais bela. Quantas coisas lindas estão embutidas nessa única palavra! Glória a Deus! Ele nos tem restaurado. E está nos restaurando. E nos restaurará completamente quando o virmos face a face!

  2. A restauração da alma ferida
    • pelos que demandaram e sugaram, quando deviam nutrir e suprir.
    • pelos que nos acusaram e nos abandonaram, quando esperávamos encorajamento e lealdade.
    • pelos que nos atacaram e abusaram, quando Deus os colocou para nos proteger e defender.
    • pelos que controlaram e manipularam, quando o chamado deles foi amar e servir.
    • pelos que nos afastaram de Deus, deixando-nos duvidando dEle, quando deveriam ser espelho e representantes dEle.

    Feridas profundas que só Deus pode curar, almas que só Ele pode restaurar.

  3. A restauração da alma ferida por meio de:
    • reconhecer nossas feridas, defesas e responsabilidades:
      • admitindo que essas coisas terríveis aconteceram e aceitando a imensa dor que causaram.
      • entendendo as barreiras ao amor e graça que construímos através dos anos, os muros atrás dos quais nos escondemos.
      • confessando nossa ira, nosso medo, nossa inabilidade de perdoar, nossas acusações (conscientes ou inconscientes) de que Deus nos abandonou em nossos momentos de necessidade.
    • experimentar Jesus levando sobre si essas feridas:
      • estando conosco nesse momento de trauma.
      • sentindo nossa dor conosco.
      • assumindo essas feridas.
      • protegendo-nos no meio do ataque.
      • perdoando os violentos, os opressores e os abusadores.
      • como o Justo e a quem pertence a vingança.

    Sublinhe as frases nesta leitura de Isaías 53.2b-5 que expressam que Jesus participou dos momentos mais terríveis pelos quais você tem passado:

Ele (Jesus) não era bonito nem simpático, nem tinha nenhuma beleza que chamasse a nossa atenção ou que nos agradasse. Ele foi rejeitado e desprezado por todos; ele suportou dores e sofrimentos sem fim. Era como alguém que não queremos ver; nós nem mesmo olhávamos para ele e o desprezávamos. No entanto era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo. Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu. Isaías 53.2b-5 (BLH)

  • Receber o perdão e a libertação de Deus. Recebendo:
    • perdão por deixarmo-nos afastar de Deus, de outros e de nós mesmos.
    • perdão por não acreditar no amor e na graça de Deus em relação a essa(s) pessoa(s).
    • libertação de nossas emoções angustiantes.
    • libertação de barreiras e fraquezas que não conseguimos superar.
    • libertação para renovar uma intimidade com Deus e com outros que havíamos perdido.
  • Poder transmitir o mesmo para os que nos machucaram e abusaram de nós, como na oração de Francisco de Assis:

    “Senhor, faça-me um instrumento de Sua paz.
    Onde houver ódio, permita-me semear amor;
    Onde houver ferida, perdão;
    Onde houver dúvida, fé;
    Onde houver desespero, esperança;
    Onde houver escuridão, luz;
    E onde houver tristeza, alegria.
    Senhor, permita que eu possa procurar mais
    Consolar do que ser consolado,
    Entender do que ser entendido,
    Amar do que ser amado,
    Porque é no dar que recebemos,
    No perdoar que somos perdoados,
    E no morrer que acordamos para a vida eterna.”

Encorajamos você a entrar num momento especial de oração expressando para Deus o que estiver sentindo.

Conteúdo extraído do Site: www.mapi-sepal.org.br

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Uma resposta to “Introdução à Restauração da Alma. O que é?”

  1. marcos Says:

    Minha esposa deixou nosso lar depois de vinte anos de convivencia, deixando eu e minha filha adolescente.
    Peço a Deus todo dia para que restaure minha familia.
    Minha filha as vezes chora a noite, sem perceber que eu a escuto, pois ela nao quer demonstrar fraqueza perante mim.
    Por isso peço um pedido de oração para que em nome de Jesus, Deus restaure minha familia.

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